«Temos uma estrutura muito boa de prospeção e dados em Sevilha»

Atualizado: Mar 6



Numa reunião online via Zoom, o diretor desportivo do Sevilha abordou vários temas, como o seu método de scouting, e destacou a importância dos dados na prospeção e observação de jogadores.


"Um jogo de futebol pode gerar 8 milhões de pontos de dados, então precisas de saber o que é importante para ti", afirmou Monchi. Para isso, o diretor desportivo do Sevilha revelou que trabalha com uma equipa de nove especialistas nessa matéria, entre eles engenheiros, estatísticos e matemáticos. Big Data e Inteligência Artificial estão agora ligados ao futebol de elite, o que levou o espanhol a dizer: “Se não tiveres os dados em consideração, não é uma coisa boa".


Doze olheiros em tempo integral da equipa de Monchi assistem a jogos na Áustria, França, Bélgica, Brasil, Portugal, Croácia, entre outros países. “A minha equipa vê cerca de 60 jogos por mês. Eu vejo cerca de 15 porque tenho outras funções”, contou.


É assim, em resumo, que a equipa que conquistou o recorde de seis títulos da Liga Europa escolhe os seus jogadores. O Sevilha está invicto em Espanha nos últimos 10 jogos e está em 4º lugar na La Liga com 48 pontos em 23 jogos, dois atrás do Barcelona, ​​3º classificado, que recebe no sábado. “A nossa moral está em alta, mas eles têm um jogador chamado Messi”. O Sevilha venceu o Barcelona por 2-0 na primeira mão da meia-final da Taça do Rei e as equipas irão enfrentar-se novamente a meio da semana para a 2ª mão.


Ramon Rodriguez Verdejo, ou Monchi, tem uma cara expressiva, mas para responder à pergunta sobre a importância do scouting e dos dados, usou muito as mãos. “A primeira informação vem do sistema de olheiros que assistem a muitos jogos, mas temos uma série de filtros”, esclareceu.


“Reduzimos o número para 20-25 jogadores por posição. De seguida, entregamos essa lista ao departamento de dados para uma opinião objetiva dos jogadores. Também conversamos com o treinador para ir ao encontro do perfil de jogador que procura”, revelou. A pandemia significou que o scouting "acontecesse nas telas dos computadores". "Mas embora trabalhássemos de forma diferente, continuamos a trabalhar bem”, completou.


"A seleção acontece quando o instinto encontra os dados - as informações subjetivas dos olheiros são apoiadas por números e correspondências que o treinador deseja", afirmou Monchi. "Quem gostaria ele de comprar agora? Quanto dinheiro eu tenho? Muito. Nesse caso seria Pedri (Barcelona) e Ferran Torres (Manchester City)", atirou.


O sistema de contratação de jogadores do Sevilha foi aperfeiçoado por Monchi ao longo de quase duas décadas nesta função. Com um encolher de ombros, disse que não era digno de ser alguém que deixaria um legado. “Mas estou muito orgulhoso, junto com os meus colegas, de poder criar uma estrutura de gestão desportiva no departamento de dados. Acho que temos uma estrutura muito boa de prospeção e dados em Sevilla.” Entre os seus ex-colegas está Victor Orta, atual diretor de futebol do Leeds United. Por outro lado, entre as muitas pessoas com quem ele aprendeu está Luis Aragonés, ex-selecionador da Espanha.


“Maior responsabilidade”


O futebol passou por uma grande mudança desde a época em que os dirigentes recebiam chamadas para comprar jogadores. Monchi não disse se o cargo de diretor desportivo é o mais importante num clube - embora no passado se tenha considerado responsável por uma má temporada, e não o treinador - mas aceitou que é aquele que tem “a maior responsabilidade”.


"O diretor desportivo tem que gerir o orçamento. Esta posição no mundo do futebol está a ganhar cada vez mais importância e hoje há uma oferta formativa maior; as ligas estão preocupadas em formar profissionais na área da gestão desportiva”, afirmou.


Mas, tal como os jogadores, alguns diretores desportivos não se adaptam bem. “É verdade, porque o diretor desportivo precisa mesmo de conhecer a filosofia do clube, as suas idiossincrasias, os adeptos, os mídia. Estes são fatores adicionais que os ajudam a trabalhar melhor".


Embora inicialmente não quisesse falar de ninguém em particular, Monchi, depois de algumas insistências, escolheu a chegada de Dani Alves ao Sevilla como uma boa lembrança. “Ele cumpriu todas as etapas; jogador desconhecido, de sucesso e vendido por uma grande quantia.”


Eliminatória da Champions


Mesmo para uma equipa cujo lema é nunca desistir, o espanhol disse que reverter uma desvantagem de 2-3 para o Borussia Dortmund nos oitavos de final da Liga dos Campeões seria difícil. Vencer a La Liga nesta temporada também não é algo que o Sevilla está a procurar agora, disse. Aquilo em que estão focado é diminuir a diferença para o Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid. “Mas para isso, temos de estar na Champions League regularmente. Uma maior receita significa uma equipa mais competitiva. ”Estar entre a elite espanhola é o primeiro passo para estar entre os melhores da Europa", referiu.


Interesse de outros clubes


Em relação a uma possível saída, Monchi foi claro: “Tenho a confiança e a independência deles (do Sevilha). E eu sou um adepto do Sevilha. Gosto de onde estou neste momento.”