Onde vai ele vão todos



Rúben Amorim esteve ausente, devido à Covid-19, da deslocação do Sporting aos Açores que terminou com vitória do Santa Clara por 3-2, naquela que foi a primeira derrota da temporada a nível interno para os verde e brancos. Uma derrota dura que colocou fim à série de 16 vitórias consecutivas para o campeonato. E se os 'leões' sentiram falta do seu líder junto ao relvado, a ausência de Rúben Amorim nas conferências de imprensa também não abona a favor da turma de Alvalade.


O técnico do Sporting regressou ao banco no triunfo da passada terça-feira por 0-4 frente ao Leça (equipa que milita no Campeonato de Portugal), e no pós-jogo o treinador dos 'leões' voltou a demonstrar a sua grande capacidade de comunicação.


Em resposta à "sensação de poder voltar ao banco para orientar a equipa", Rúben Amorim reiterou o desejo de continuar no clube por muito tempo - "espero não falhar mais nenhum jogo durante vários anos aqui no Sporting". Numa pergunta não relacionada com o tema, o treinador dos verde e brancos salientou a vontade de permanecer no cargo. A derrota nos Açores está ainda bem presente e deu aso a que se começassem a levantar algumas dúvidas relativamente à sua equipa. Assim, Rúben Amorim aproveitou a sua primeira conferência depois do desaire para reforçar a sua convicção no valor do projeto e da equipa e que deseja continuar com eles por muito tempo. Mesmo que saia no final da época, passa para dentro uma mensagem forte de confiança e segurança, vital após a derrota dura e inesperada que levou a equipa a ser muito questionada.


Pedro Porro saltou da ficha de jogo por lesão e na sequência da explicação sobre o sucedido, Rúben Amorim aproveitou para afirmar que Ricardo Esgaio, que substituiu o espanhol no onze inicial, "lhe dá todas as garantias do mundo", acrescentando que "não o trocaria por jogador nenhum", isto depois do português ter sido o elemento mais criticado após o embate frente ao Santa Clara. Já antes, na flash, o técnico havia defendido o jogador. "O Esgaio não tem de provar nada a ninguém. O futebol é assim... Dentro do negativo que foi, foi bom para perceber aquilo que falamos todos os dias, que o futebol é instável, tudo muda num instante. Mas o que não muda é a forma como olhamos para ele. O Esgaio é um grande jogador. A opinião que vale é a minha, sou eu quem o mete a jogar. Se há jogador que levava para qualquer sítio e qualquer momento é o Esgaio".


Paulinho foi também um dos alvos da insatisfação após a derrota nos Açores, isto depois de ter sido apanhado a sair à noite no réveillon. Questionado se teria de "apertar a malha", o treinador ilibou o jogador das críticas, referindo que se o resultado em São Miguel tivesse sido outro, isso não seria tema. "Eles são miúdos, são jovens, e têm que sair à noite. E o treinador diz para sair à noite quando têm de sair à noite, não há qualquer problema desde que façam o trabalho", argumentando que o problema da derrota frente ao Santa Clara foi outro – a agressividade e a intensidade. "Os jogadores têm que respeitar o treino, o descanso e quando têm de fazer a vida deles no fim de ano, têm que fazer a vida deles no fim de ano."


Sobre Bruno Tabata, Rúben Amorim destacou a prestação do jogador, aproveitando, entre risos, para deixar um recado em alusão às duas expulsões do brasileiro no mês de dezembro, conseguindo, assim, fazê-lo de forma 'amigável' mas eficaz.


Além disso, o treinador dos 'leões' relembrou a equipa que o pensamento tem de ser sempre o de "jogo a jogo", de modo a que não voltem a acontecer dissabores. "A única coisa boa da derrota nos Açores é que os jogadores têm que perceber que, nos últimos 50 jogos tiveram uma derrota, não interessa o que já fizeram, os títulos que já ganharam, quando houvesse uma derrota, e eu disse-lhes isso sempre, tudo vai mudar. E a verdade é que mudou" - atirou, reforçando uma mensagem que faz constantemente intenção de passar.


Rúben Amorim sai sempre em defesa dos seus jogadores, mesmo após os maus resultados, como nos Açores (ou após a goleada caseira sofrida com o Ajax). Nunca os expõe publicamente e reforça constantemente a confiança e o orgulho que tem neles, sem nunca deixar de dizer aquilo que entende que deve dizer. E faz questão de repetir sempre que o futebol é o momento e que tudo pode mudar de uma dia para o outro, exigindo, assim, compromisso e entrega constante aos seus. Um discurso que alia a exigência à confiança, sempre com o foco no próximo jogo sem entrar em "ilusões" ou "depressões" e sem nunca expor os seus. Rúben Amorim conquista, assim, os jogadores. E é por isso que, onde vai ele, vão todos.