Da Feira para o País



O CD Feirense teve um início de temporada fantástico que vai resultando na liderança da Liga Sabseg (e também na melhor defesa do campeonato). A equipa de Santa Maria de Feira venceu todos os jogos na competição à exceção do arranque em falso na jornada inaugural frente ao Sp. Covilhã e do desaire na última ronda em casa do Leixões que colocou fim a uma série de sete vitórias consecutivas, incluindo uma goleada em casa do maior favorito à subida Rio Ave por quatro golos sem resposta. Relativamente às outras competições, os azuis foram eliminados pelo Famalicão da Taça da Liga no primeiro jogo da época e deixaram a Vila Meã pelo caminho na Taça de Portugal.


Após ser despromovida do principal escalão do futebol português em 2019, a SAD fogaceira teve necessariamente de reduzir o orçamento e, consequentemente, alterar a estratégia a seguir. Desde então, o emblema da Feira tem vindo a apostar mais em jovens em detrimento de jogadores com maior rodagem e experiência, como é o caso das contratações de Zé Ricardo (Ex-Aves), Samuel Teles (Ex-Leça), João Oliveira (Ex-Sporting B), Jardel (Ex-Leça), Jorge Teixeira (Ex-Oliveirense), Sidney (Ex-Felgueiras), Palacios (Ex-Dukla B), Cláudio Silva (Ex- Famalicão S23), João Paulo (Ex-Leça) e Tiago Dias (Ex-Olhanense), por exemplo, todos com menos de 23 anos quando ingressaram no clube, e que representaram um baixo investimento. O único caso de um investimento considerável, 600.000€, e de grande sucesso, foi mesmo o de Guilherme Ramos, recrutado ao Sporting B após o regresso do Feirense à segunda divisão, à data com 21 anos, e que este verão rumou à Bundesliga para representar o Arminia Bielefeld a troco de 1.200.000€.


Paralelamente, tem vindo a ser feita uma aposta também nos produtos da formação, com a inclusão de vários jovens no plantel principal. Manu, João Pinto, Vargas e Bruno Onyemaechi são exemplo disso.


Por fim, o ingresso de alguns jogadores com "maior bagagem", como Vítor Silva e Ricardo que entretanto já saíram, mas também Ícaro ou Fábio Espinho, ajudam a complementar a juventude, aportando mais experiência e conhecimento à equipa.


Destaque ainda para o atual timoneiro da equipa, Rui Ferreira, que rendeu Filipe Rocha no comando técnico em março do ano passado e tem feito um trabalho fantástico. 'Adepto' do 3x5x2, é de sublinhar o trabalho que tem desenvolvido na aposta nos jovens da formação, em sintonia com o projeto do clube. Para além de todas as suas valências técnico-táticas, realce também para a capacidade de comunicação, cada vez mais importante.


Os resultados estão à vista. Após ter descido à segunda liga, os azuis conquistaram um 3º lugar em 2019/20 e um 5º na época transata. Este ano, a 'receita' vai valendo o 1º lugar, isto com o 4º plantel com a menor média de idades da Liga e também o 4º com menor valor de mercado (no total e em média por jogador).


O Feirense é, assim, um clube a emergir no panorama nacional e que promete regressar à primeira liga já este ano. Um emblema completamente estabilizado e que cresceu a diversos níveis, contando hoje com infraestruturas de grande qualidade. Um trabalho que está a ser muito bem desenvolvido e que vai dando passos firmes e sustentáveis com vista ao regresso ao principal escalão do futebol português.