A impressionante ascensão de Pablo Longoria

Atualizado: Jul 5



Em apenas alguns meses Pablo Longoria conseguiu convencer todos em Marselha. Na sexta feira, Frank McCourt, dono do OM, nomeou o até então diretor desportivo do clube no novo presidente. Pelo seu trabalho árduo e pela sua visão do futebol, mas não só, também porque se adaptou perfeitamente a este famoso e difícil contexto de Marselha, que em Portugal encontra semelhanças com o Vitória Sport Clube. Jacques-Henri Eyraud, por exemplo, não teve sucesso.

Esta será uma nova página na curta carreira do líder ibérico. A sua ascensão é, em qualquer caso, meteórica. Com apenas 18 anos, aquele que foi apelidado de "o menino do Playstation" - desde muito cedo desenvolveu a sua paixão pelo scouting através dos videojogos de futebol - começou a trabalhar para o agente Eugenio Botas, que tinha como cliente o treinador Marcelino, a quem ele regularmente aconselhou. Depois de uma curta passagem pelo scouting do Newcastle, com 21 anos, Longoria assumiu a sua primeira função de alta responsabilidade aos 22, tornando-se o diretor de scouting do Recreativo Huelva, recém-promovido à La Liga, onde fez a sua primeira grande operação: Florent Sinama Pongolle, chegou do Liverpool por 4M e brilhou na Andaluzia antes de rumar ao Atlético por 10M.

A sua enorme lista de contactos e o domínio de seis idiomas permitiram que rapidamente recebesse ofertas do exterior. Aos 24 anos, chegou a Bérgamo para ser scout da Atalanta. Mais tarde, assumiu a liderança do scouting do Sassuolo e, dois anos depois, mudou-se para Juventus para desempenhar as mesmas funções, no auge dos seus 28 anos. Em Turim, deu um novo rumo à política de transferência da Velha Senhora, em particular no recrutamento de jovens jogadores, tendo sido o responsável pela contratação de Rodrigo Bentancur, por exemplo, com quem passou uma semana em Buenos Aires para o convencer a juntar-se ao clube. Longoria demonstrou ser capaz de fechar dossiês de alto calibre, bem como de ter capacidade para detetar e contratar jovens com grande potencial.

Assim, aos 31 anos, juntou-se ao Valência como diretor desportivo, formando uma dupla de sucesso com Marcelino, levando a equipa da costa do Mediterrâneo à conquista da Taça do Rei em 2019, antes de partir devido a desentendimentos com a direção. De qualquer forma, esteve na origem da chegada de vários jogadores promissores a Valência, como o caso da pérola norte-americana, Yunus Musah. O ano passado chegou a Marselha para render Zubizarreta no cargo de diretor desportivo do OM. Agora tem, certamente, a missão mais difícil da sua carreira, ao assumir a presidência do clube francês, em que terá, pela primeira vez, uma função administrativa e não apenas voltada para o futebol.